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✍️ Na última edição: Rebranding: tudo o que você sempre quis saber

💬Comentário da última edição:

Você vai ler

A IA vai acabar com empregos.
Pessoas serão demitidas por causa da IA.
Todo mundo que fala o contrário está fazendo gestão de crise.

O marketing será afetado de maneira brutal.

Segundo estudo da Redpoint, Um SaaS tradicional gera cerca de 300 mil dólares de receita por funcionário, startup AI-native geram U$ 2-4 milhões. Midjourney chegou em U$ 200M ARR com 11 funcionários.

Isso é, literalmente, 10x mais eficiência.

Não estamos falando de ganhos de produtividade, essa é uma forma totalmente nova de trabalhar.

Essas empresas não vão contratar mais pessoas, isso significa menos empregos. E o marketing vai ser brutalmente impactado.

Execução virou commodity

Durante o Gen Marketer Summit, Keith Putnam-Delaney, co-founder da Primer, defendeu que a IA matou a execução.

Não como capacidade, como diferencial, pois agora todo mundo lança rápido, testa rápido, gera criativo rápido. Fazer parou de ser a coisa difícil e isso está acelerando o volume de entrega e o aprendizado dos times.

Se a execução ficou barata e rápida, você não precisa de uma fileira de gente pra executar. Você precisa de gente melhor, dirigindo máquinas.

O Kieran Flanagan, Senior VP de Agentic GTM & Systems da Hubspot descreve o efeito sem rodeio: a IA está achatando a estrutura de marketing. A camada de gente coordenando a coordenação dos outros já desapareceu, sobrando menos middle-managers e mais ICs generalistas.

Enfim, os times estão ficando menores e mais eficientes.

É como diria nosso amado Chorão: O impossível é só questão de execução.

O playbook Tiny Teams

No AI Engineer World's Fair desse ano, sete representantes desse playbook subiram ao palco: cerca de 100 pessoas gerando algo perto de US$200 milhões em ARR.

Encontrei esse termo lendo a newsletter técnica de engenharia e IA Latent Space, que define TT como "empresas com mais milhões em ARR do que funcionários".

Tenho 3 exemplos favoritos.

A Gamma é ferramenta de IA que monta apresentação, documento e site a partir de um prompt (seria o Canva/PowerPoint da era da IA), e tem 50 milhões de usuários e 30 pessoas.

A Bolt é uma solução de IA para o tal “vibecoding”, você descreve um app em texto usando linguagem natural e ele constrói a aplicação web inteira. Passou de 30 a 40 mil clientes no segundo mês, com menos de 20 pessoas.

E a Gumloop é uma plataforma no-code pra montar automações com IA, tipo a Zapier, na época estava mirando virar unicórnio com menos de 10 pessoas (para ser honesto, foram para enterprise e contratam gente pra vender).

Existe um padrão nos 3 talks. Menos gente, mais contexto e alto nível de autonomia, com times híbridos de humanos e agentes de IA trabalhando juntos.

Adaptação, não de extinção

A principal narrativa é de que a IA não vai te substituir, mas que pessoas usando IA vão substituir pessoas que não usam.

Que nada mais é do que o jeito desonesto de falar que uma pessoa será capaz de fazer o trabalha de duas ou três, eliminando 50% das posições existentes.

Apesar do susto, a AI está menos para o meteoro que varre os marqueteiros da face da terra e mais para as mudanças ambientais que promovem a sobrevivência no mais apto, puro darwinismo.

Mas essa adaptação não significa apenas usar IA, achar que está seguro porque você conversa com o ChatGPT. Na verdade, esse novo cenário inflacionou o valor de um set específico de habilidades que vão além da IA.

Bons profissionais de marketing tendem a ter essas habilidades em seu repertório e precisam estar conscientes de que devem fortalece-las.

Uma revolução diferente

Estamos acostumados com transformações no marketing, os últimos 30 anos mudaram completamente a nossa forma de trabalho.

Grandes eventos tecnológicos criaram novos cargos especialistas em marketing. A internet criou o marketing digital, as redes sociais criaram os social media managers, a ascensão do PLG, dados e modelos de atribuição criaram o growth hacker.

Cada onda fatiou o marketing e criou mais uma especialidade dentro dele.

A inteligência artificial é um evento que tem essa mesma influência, mas pela primeira vez uma virada tecnológica vai criar generalistas, não especialistas.

Antes, a complexidade morava na execução: aprender uma nova plataforma, fazer um bom criativo, escrever uma boa copy, montar um bom fluxo de e-mail, rodar um bom anúncio.

Cada uma dessas coisas era difícil o suficiente pra justificar uma pessoa dedicada, mas a IA está eliminando boa parte dessa dificuldade. O que continua difícil é ter bom gosto, conectar as peças, decidir o que fazer, ser crítico e avaliar o que está sendo criado. E fazer.

Em marketing, a inteligência artificial está permitindo que o marqueteiro expanda seu escopo. Nesse contexto, o mais adaptado não é o especialista, é quem tem amplitude de conhecimento para executar o workflow completo, guiando a IA em cada etapa.

A ascensão do Gen Marketer

Um novo tipo de marqueteiro está surgindo.

Infelizmente não fui eu quem inventou o termo. Na verdade, muita gente está falando sobre esse assunto de forma independente, o que aumenta muito a minha confiança de que estamos diante de uma mudança significativa.

→ Emily Kramer falou sobre o marqueteiro generalista, que utiliza IA para cobrir mais campo além das próprias competências atuais. Chamou isso de Gen Marketer.

→ Elena Verna falou sobre o líder que volta pras trincheiras, capaz de executar sozinho o trabalho que exigia um time completo. Chamou isso de HI-C, High Impact Individual Contributor.

→ Hardik Pandya falou sobre o surgimento do indivíduo capaz de executar mais coisas, cujo impacto vem da própria capacidade de execução, não do tamanho de seu time. Chamou isso de Super IC.

→ E vemos outras funções de marketing ganhando atributos de tecnologia e desenvolvimento, como Content Engineer, GTM Engineer, e tantos outros termos.

Estes não são sinônimos perfeitos. HI-C é baseado na ideia de senioridade, Super IC é sobre craft, Gen Marketer é mais voltado para o escopo… Mas todos descrevem o mesmo movimento: uma pessoa rendendo como um time, turbinada pela IA.

Por aqui, abracei o conceito de Gen Marketer pelas nuances representarem melhor o contexto atual de marketing e ser um exercício que abraça a ideia de generalista + generativa.

Inclusive comprei os domínios, caso alguém queira construir algo junto comigo.

O departamento de marketing é um amontoado de sub-equipes (pense brand, demanda, produto, conteúdo, paid) que não sabem fazer o marketing uma da outra. A pessoa de paid não sabe sobre branding. A de conteúdo não sabe rodar campanha de demand gen.

Gen Marketer é uma sobreposição de várias funções que reúne 3 capacidades em cima de suas especialidades: AI, product marketing e campanhas.

É o profissional que pensa como um product marketer, parte da audiência pra se diferenciar e conecta os pontos entre produto e GTM. Opera como um campaign manager, pois age como um produtor/operador capaz de unir a criação com a distribuição. E executa como um AI expert, escala com ferramentas, workflows e agentes, dirigindo um time que é parte humano, parte máquina.

Imagem emprestada do MKT1 (Emily Kramer)

O Gen Marketer é o ponto onde esses três círculos se cruzam.

Na prática, isso é uma mudança de comportamento, não necessariamente de cargo. Por exemplo, o profisional de branding que antes criava a peça e passava pro time de growth distribuir agora desenha a campanha já com a distribuição dentro.

O conteúdo que era um post de blog agora pode ser um produto que ele constrói pra audiência via vibe coding: um índice, uma calculadora, uma ferramenta. O growth marketer larga a obsessão por um canal só, fica ágil em vários, e monta campanhas de ciclo completo com automação.

Junta tudo e o que você tem é uma pessoa que pega uma ideia enraizada na audiência e executa o plano concreto (criação, distribuição, otimização) sem precisar de um revezamento de oito especialistas.

Note que nesse movimento, a IA é um enabler da situação, pois barateira a execução e permite que uma pessoa só, apoiada em agentes, cubra mais terreno do que um time de 3-4 indivíduos.

Mas a IA é apenas uma peça desse quebra cabeça, a expertise em marketing continua sendo a coisa mais importante de ttodas.

O Kieran Flanagan explica essa nova dinâmica com uma matriz simples, onde um eixo é expertise (quanto você sabe) e o outro é uso de IA.

Quem tem muita expertise e muito uso de IA é o profissional mais bem posicionado, será reconhecido em breve como gen marketer.

Por outro lado, quem tem pouca expertise e utiliza muita IA é perigoso para a companhia, uma máquina de slop, que produz muito, produz rápido e produz errado. Com a confiança de quem se acha um gênio.

O terceiro quadrante, com muita expertise e pouco uso de IA é o profissional que ainda não usa IA adequadamente no seu dia a dia e o último quadrando é o profissional mais exposto às mudanças, que deve ser extinto rapidamente.

E aqui ficam duas ressalvas:

  1. Usar IA não te torna um Gen Marketer. A IA é um multiplicado e zero vezes qualquer coisa ainda é zero. A sua expertise é o número que está sendo multiplicado.

  2. Ser generalista não significa ser iniciante. O generalista tem amplitude de conhecimento e tem profundidade suficiente para conduzir a IA ao invés de ser conduzido. O conhecimento vem da experiência e é aplicado à IA, não o contrário, onde a IA desenvolve o raciocínio e você recicla o pensamento.

O caminho para se tornar um Gen Marketer

Usar IA é a parte fácil, qualquer um aprende a promptar numa tarde. O que separa o Gen Marketer da máquina de slop não está em quão bem o profissional usa uma ferramenta, é um outro conjunto de habilidades.

A IA é uma grande normalizadora de médias. Uma estagiária genial que faz tudo que você pede, e nada do que você não pede. É preciso saber o que pedir.

Eu to falando de craft. Um conceito abstrato que tem a ver com domínio, intuição, experiência. Craft vem de executar algo mil vezes, aquele instinto de sentir que algo está certo ou errado antes de saber explicar por quê.

É esse tipo de habilidade que importa: julgamento, bom gosto, raciocínio, e a capacidade de questionar o que a máquina cospe.

Você só consegue questionar e desafiar a IA se você tem craft em alguma coisa. Quando você não tem conhecimento sobre um assunto, o output da IA sempre parece exepcionalmente bom, aceita tudo que vem e se torna uma máquina de propagar slop.

O profissional com profundidade pega o output, entende que está errado e conserta. É por isso que o Kieran Flanagan diz que é o especialista de verdade se tornará um generalista valioso na era da IA.

A Kramer diz na lata: ferramenta dá velocidade, mas não substitui fundamento, pensamento estratégico e julgamento humano. Bom gosto e julgamento são o que separa o bom do excelente.

Então, na prática, como nos tornamos Gen Marketer?

5 dicas para se tornar um Gen Marketer

1. Aprenda a tocar uma campanha de ponta a ponta.

Esse é o ponto de partida que a Kramer quer explica como "baseline". O Gen Marketer pega uma ideia e leva até o resultado sozinho (copy, criativo, e-mail, paid, landing), dirigindo a IA em cada etapa do funil, sem depender de um revezamento de oito pessoas.

Tocar de ponta a ponta não é fazer tudo com a própria mão. É conseguir conduzir tudo, porque você entende cada parte o suficiente pra dirigir e pra cobrar.

A Ting Ting Luo, da Clay, resume o oposto disso: a morte de um time é quando toda ideia precisa de 20 pessoas pra sair do papel.

2. Empilhe a camada generalista por cima da sua especialidade.

Pra dirigir cada etapa, você precisa de profundidade em alguma coisa. É contraintuitivo, mas é o ponto do Kieran Flanagan: é o especialista de verdade que vira o generalista valioso, já que a profundidade te dá o critério pra julgar todos os outros.

A Kramer é explícita: não jogue fora seu craft pra "virar generalista". Mantenha-se profundo numa ou duas coisas e some amplitude por cima. Generalista que largou a especialidade não é generalista. É raso.

3. Desenvolva o que a IA não te dá: raciocínio, senso crítico e bom gosto.

Esse é o trabalho de uma vida, mas também é o que de fato te diferencia.

Raciocínio é saber pensar o problema, não só pedir a resposta… Eu chamo quem terceiriza seu raciocínio para a IA de second-hand thinkers, mas me deparei recentemente com o termo prompstitutes, muito mais adequado.

Senso crítico é saber o que está bom e o que não está para ser capaz de editar o output. Bom gosto é o filtro que reconhece a melhor entre dez opções boas, algo difícil de ensinar e muito subestimado no marketing, principalmente numa era onde tudo deve ser data-driven.

4. Construa um sistema, não prompts soltos.

Usar IA é diferente de usar LLM. Pense IA como um sistema que deve ser construído.

Na prática, você desenvolve skills modulares (uma pra copy, uma pra roteiros, uma pra revisão…) para tornar a IA mais afiada e workflows/agentes que executam tarefas para você.

O sistema de conteúdo que o Flanagan construiu levou uns nove meses de iteração. Um truque de treino que ele usa é o "copy work": copiar à mão um trabalho que você admira pra internalizar a estrutura, e só depois somar o seu estilo.

5. Use a IA pra subir o nível, não apenas fazer mais coisas.

A maioria usa IA pra fazer mais do mesmo, produzindo três vezes mais trabalho mediano. O Gen Marketer usa pra fazer melhor, ser capaz de criar e conduzir sozinho o que antes exigia um time inteiro.

3 erros relacionados ao uso de IA

Erro 1: Parafusar IA na estrutura velha. (nível: organização)

É o que a maioria das empresas tá faznedo: compra as ferramentas, manda todo mundo "usar IA", e não muda nada em como o time opera. A capacidade de um modelo aumenta rápido, mas a integração dela no jeito da empresa trabalhar corre devagar.

E aí o pessoal começa a medir a coisa errada (número de prompts, "taxa de adoção", consumo de tokens) quando a pergunta de verdade é o que mudou no resultado. A gente nem quer que uma pessoa gere 20 posicionamentos de marca por mês, mas estamos cobrando volume.

Erro 2: Usar IA pra fazer mais, não melhor. (nível: output)

Esse é o erro individual mais comum, e o mais traiçoeiro, porque parece produtividade. Você pega a IA e produz o triplo. Só que é o triplo do seu trabalho médio.

Mais conteúdo medíocre, mais rápido, não é vantagem.

Erro 3: Achar que generalista é ser raso. (nível: identidade)

A pessoa ouve "seja generalista" e entende "seja mediano em várias coisas". Larga o craft, vira pau pra toda obra, e não fica bom em nada. A Ting Ting Luo, da Clay, crava: ser generalista não é desculpa pra ser ruim em várias coisas ao mesmo tempo. Generalista de verdade exige domínio com amplitude de conhecimento.

Você me ajuda com Discovery?

Estou desenvolvendo uma solução de IA para times de marketing e estou fazendo discovery com algumas pessoas.

Você topa responder um formulário rápido e quem sabe marcamos uma conversa completa pra eu te apresentar em primeira mão e colher seu feedback?

Qual a nota dessa edição?

(pessoas educadas respondem)

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