Eu confesso: estou viciado em Claude. Entre 2 e 22 de março de 2026, rodei 71 sessões de Claude Code, totalizando 119,5 horas — média de 5,7 horas por dia.
Usei praticamente todos os dias, para os mais diversos fins.
Não sou programador de formação, e o máximo que eu tinha mexido em código antes era para arrumar algum HTML ou CSS em sites de empresas que eu trabalhei.
Desde então, com IA, construí 3 sistemas operacionais:
Pipeline editorial da Growth Insight;
Gestão de time na Company Hero integrado com o Fireflies para pegar as transcrições de reunião;
E um sistema operacional pessoal integrado com Oura e NotebookLM.
Além disso, num único dia, o Claude Cowork (uma semana grátis aqui) reorganizou minha pasta de downloads e prints, e liberou 56 GB do meu computador. Em 5 minutos. E o Claude Chat me ajudou a escrever e editar esta newsletter.
Nessa edição eu te conto como eu fiz (spoiler: eu sou bem nerd), dou alguns dados do que todo mundo está fazendo, e já solto a conclusão na largada: faça você também.
Dados da Forem dizem que 63% dos usuários de ferramentas de vibe coding hoje são não-desenvolvedores — marketers, PMs, founders. Do outro lado do ringue, 59% dos CMOs dizem não ter orçamento para executar a estratégia (Gartner).
Procure, pergunte como, tenha curiosidade. O que a nossa geração entende como “você já deu um Google para ver?”, agora é “você já tentou usar IA?”. E até onde eu consegui fazer, estes são os jeitos mais avançados de utilização a partir de casos de uso reais.
🧠 Tempo para escrever: 7 horas
📖 Tempo de leitura: 19 minutos
✍️ Na última edição: Como criar um marketing que gera caixa (do zero)
💬Comentário da última edição:

Você vai ler
Como tudo começou (GPT e Gemini)

Eu sou um grande curioso com tecnologia e Inteligência Artificial. Comecei lá no ChatGPT, entendendo o que fazer. Usava o Claude para copy (sempre achei melhor em questão de texto). Gerava também umas imagens no Midjourney e já me achava o máximo.
E brincava com coisas aleatórias no Lovable (como um gerador de frases do José Wilker, ou um abençoador digital para quando sua semana estiver ruim).
Com o tempo, fui começando a criar projetos, trazendo outros documentos como contexto - o que aliado a instruções customizadas e a própria janela de contexto da IA, tende a produzir resultados melhores.
Certo momento, quando o Gemini 3 jantou o ChatGPT, ele ganhou também meu coração.
Migrei para o Google, já que - fica aqui a dica - se você juntar com o armazenamento extra do Google One, ganha também a inteligência artificial premium e dentro dos seus Google Docs, pelo mesmo valor do ChatGPT Plus (~R$100 por mês).
Estava relativamente satisfeito com o Gemini, e achava que ele era mais preciso que o produto da OpenAI (estava cansado do GPT concordar comigo).
O ouro ali são os Gems, que funcionam de maneira similar aos Projetos: com output específico, documentos de apoio e contexto. Esses eram os que eu usava:

Print dos meus “Gems”, os projetos do Gemini
Os que funcionaram melhor foram:
Hero Chief of Staff: subia as minhas anotações sobre o time (faço um ‘braindump’ a cada 2 semanas) e ele me ajudava a criar as avaliações de performance individuais, separando e filtrando o que era de cada pessoa.
Planejamento Estratégico: subi as premissas estratégicas e juntei com livros e teorias como ‘Good Strategy, Bad Strategy’ e outros frameworks. Me ajudou a preparar as dinâmicas e o material de pre-read para o offsite da diretoria.
Aí, os outros três funcionaram mais ou menos:
Social Media Creator: era para pegar um conteúdo longo (tipo uma edição da newsletter) e fatiar em assets mais curtos, prontos para LinkedIn e Instagram, mantendo o meu tom de voz. Não consegui fazer “pegar” direito, estava muito click-bait e eu não gosto disso.
Newsletter Growth Insight: funcionou bem como pauteiro e como elemento para buscar referências (mesmo eu tendo sempre que usar Claude e Perplexity como alternativa). Às vezes alucinava e inventava um dado sem fonte. E eu sou chato demais para deixar os outros escreverem por mim.
Nexus e Segundo Cérebro: mandava áudios para o Gemini com o que aconteceu no meu dia para o Daily Journal. Ele transformava em texto e já dava uma interpretação e dicas como TCC (terapia cognitivo comportamental). E eu manualmente pegava, copiava e colava no Notion.
Esse último eu usava todos os dias. Mas me incomodava muito o fato de ter que copiar e colar no Notion (é a minha central de dados da vida toda, do trabalho ao pessoal). E também me incomodava o fato do speech-to-text nativo do Gemini não funcionar, e o do iPhone ser bem mequetrefe.
Parêntese🎙 eu resolvi o “eu falo, você digita” de speech-to-text com o Wispr Flow. Desde então, já falei 23 mil palavras nele no celular e no computador, e posso confirmar que é bem mais rápido e fácil. Entra nesse link que você tem um mês PRO de graça quando ativar a conta.
Claude here we go

Óbvio que essa edição teria memes questionáveis
Então… resolvi testar com mais força o Claude.
Até então, o meu único caso de uso da plataforma da Anthropic era o de ajuda para escrever e editar, já que na minha opinião ele faz textos melhores que os rivais de Google e OpenAI.
O Claude Code existia desde maio de 2025, e em fevereiro de 2026 cruzou os USD 2,5 bilhões de ARR (receita anual recorrente). Já era o produto de AI coding a atingir o marco de USD 1 bilhão de run-rate mais rápido da história.
Na Pragmatic Engineer Survey, pesquisa com mais de 15 mil desenvolvedores divulgada em fevereiro deste ano, 73% dos times de engenharia disseram usar AI coding tools diariamente, um aumento brutal frente aos 41% do ano anterior. Claude Code foi nomeado a ferramenta mais amada por 46% dos respondentes.
Mas eu ainda tinha como premissa um preconceito de que o Claude Code era só para programadores, e portanto complexo demais para mim.
O que eu queria mesmo era usar o Cowork, modelo recém-lançado que tem interface mais amigável e pode executar tarefas no seu computador por você, mexendo em pastas e programas da sua máquina e sincronizando apps.
O meu incentivador principal foi Pedro Carneiro, head de expansão internacional da PX (antiga MotoristaPX), ex-colega de ACE Ventures e um viciado profundo em Claude Code - nível “já estourei a cota até da conta Enterprise”.

WhatsApp que trocamos quando o Pedro Carneiro (sim, por isso o “Sheep”) me contou que estava fazendo chover com o Claude Code.
O problema é que não tinha Cowork para Windows ainda (só Mac - mas hoje tem ambos), então eu me joguei direto no Claude Code. Vamos com o que temos.
Instalar foi mais fácil do que eu imaginei pelo app do Claude no Windows - que aliás é uma interface que lembra o chat que você tem com qualquer LLM, mas com superpoderes de código.
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Dá para instalar e usar pelo VSCode ou pelo terminal do seu computador mesmo. Mas o mais fácil é pelo app do Claude para o seu PC.
De lá para cá, vício instantâneo.
No dia 17 de março foram 20 horas de Claude Code, com 14 sessões no mesmo dia. Claro que ele faz alguma coisa no background enquanto você come e dorme, mas lembro de usar o dia todo no trabalho e depois entrar em hiperfoco intenso em casa durante a madrugada.
No período inteiro: 119,5 horas em 21 dias. Média de 5,7 horas por dia. Pico semanal de 68,7 horas em 40 sessões.
O projeto Nexus, meu sistema de gestão pessoal, consumiu 46 horas sozinho. O Notion Hero — a gestão de time na Company Hero — mais 42 horas. Olha só o que eu construí.
O que eu construí, em detalhe
Growth Insight — Pipeline Editorial Completo

Como o editor analisa uma edição do Growth Insight. A nota foi dada antes dos ajustes nessa própria edição. Eu só publico quando está no mínimo em 8,5 ou 9.
O problema era concreto: melhorar a qualidade e diminuir o trabalho de produzir uma edição da Growth Insight com o padrão que temos. Isso exige pesquisa, análise de estilo por autor, curadoria de fontes, e um processo editorial que não estava documentado em lugar nenhum além da minha cabeça e da do Witt.
São três modos: pauteiro, escritor, e editor. O pauteiro e o editor são os que eu mais gosto - ainda acho que o texto é uma coisa muito pessoal para deixar a IA escrever por mim. Ela já contribui, mas eu fico com o “grosso” de texto por edição.
Comecei criando dois scrapers em JavaScript (na verdade eu não criei nada, né, só pedi para fazer) para extrair o conteúdo das últimas 30 edições do beehiiv e processá-las em formato limpo.
A partir daí, analisei 107 edições publicadas (52 minhas, 49 do Witt, 6 coautorias) para calibrar um perfil estilístico por autor — padrões de abertura, estrutura de frase, marcadores de voz, frequência de metáforas por universo temático.
Esse trabalho virou o documento de Instruções Editoriais que sustenta a produção da newsletter hoje.
O pipeline de pesquisa veio depois: três scripts Python que trabalham juntos para gerar briefings com dados Tier 1, com fontes verificadas e links diretos.
Considero como Tier 1 o que aparece em pesquisas como EMarketer, Kantar, CB Insights, Ibope, Datafolha, Bain, McKinsey e outros institutos, bem como notícias de Wall Street Journal, NY Times, G1, Reuters, AFP, Wired e outros veículos, e artigos de First Round Review, a16z, Reforge e outros sites previamente curados.
O segredo para mim é garantir a autenticidade da fonte, já que eu sempre checo para entender no detalhe e incluir os links. Isso também impede que a IA alucine e pegue o Sidney Times (já aconteceu de pegar um jornal local australiano) ou de um blog qualquer que está bem otimizado para SEO/GEO/AEO.
Antes eu levava provavelmente algumas noites minerando e lendo fontes e estudos, e agora consigo papear com a IA para ela decupar os insights em poucas horas. Sigo olhando os originais por “cacoete de jornalista” para ver se tem alguma divergência.
O modo que mais uso é o editor. Funciona assim: termino um rascunho de edição, jogo no projeto da Growth Insight dentro do Claude, e peço uma auditoria completa.
O que ele devolve: uma nota de 0 a 10 com justificativa por critério — densidade, originalidade, didática, fluidez, engajamento do gancho, e autoridade das fontes. Junto com a nota, um diagnóstico do que precisa mudar para o texto virar referência.
Como ele já tem as edições prontas da newsletter e as referências que temos (Kyle Poyar, Emily Kramer, Elena Verna, Lenny Rachitsky, Harvard Business Review), pode comparar e fazer o de>para.
Aí sigo refinando até ter a edição completa e pronta para jogar no beehiiv, seleciono as imagens, insiro os links, dou o gabarito final, e voilà, habemus newsletter.
Notion Hero — CMO Management OS

Como eu me sinto pedindo ajuda para o Claude em coisas de trabalho
Uma das coisas mais importantes para um líder é ter contexto. Tanto que existem funções como Chief of Staff com a missão primordial de trazer esse contexto para os gestores.
E eu sou uma pessoa cujo cérebro foi feito mais para ter ideias do que para guardar ideias. Então sou extremamente sistemático para criar uma arquitetura que me dê sempre o maior contexto possível.
Quando eu fazia como os maias e astecas, era no caderninho com cores diferentes.
Depois, centralizei tudo no Notion - ainda manualmente. Eu conseguia relacionar as bases de dados de Tarefas, Sprints, Projetos, Documentos e Reuniões com essa pessoa, mesmo sem o Claude. Já me ajudava bastante.
E agora consigo operar uma máquina que me ajuda a cruzar um monte de informações que antes eu fazia “na mão”.
Cada pessoa com quem eu trabalho tem uma “página” dela no Notion. Com a expectativa, o PDI, os combinados e updates.
O pulo do gato foi quando eu integrei Claude <> Notion <> Fireflies (a ferramenta que eu uso para transcrever reuniões) para que as informações transpassassem o contexto original delas.
Então eu não perco mais o que eu combinei, o que cada um fez ou devia fazer, o que eu fiquei de destravar. Não fico mais perdido em 1-on-1.
Me ajudou muito a fazer avaliações de desempenho, evitando até o viés de recência (não dá para avaliar 6 meses lembrando só da última semana da pessoa).
Como uma IA “via chat” normal, também consegui boa ajuda para fazer job descriptions. Mas com mais uma mágica “só do Code” ao pegar as expectativas de stakeholders com a chegada de um novo profissional (contratado a partir desse JD) e criar um plano de onboarding já por dentro de todos os projetos, links, documentos e manuais.
Mesmo para trabalhos criativos eu estou tendo um bom progresso: o grosso do esforço para me ajudar a recriar o Tom de Voz da Company Hero — benchmark de arquétipos de marca, stress-test de taglines, narrativa — foi construído inteiro em sessões iterativas no Claude Code, sem consultoria externa.
Nexus — Personal OS

Print do meu log de Daily Journal. Dentro das notas está um relato do que rolou no dia, e os números ali são todos sincronizados com o Oura.
Lembra do meu projeto de sistema operacional pessoal, que tinha no Gemini? Ele ganhou um “modo turbo” com o Claude Code: consegui correlacionar com o Oura Ring (anel biométrico que lê sono, temperatura, batimentos cardíacos, exercícios, etc).
Então o que antes era na mão e chato pra caramba (pegar os dados do Oura e jogar no Notion) agora é um clique a partir de um comando.
O fluxo:
Eu “escrevo” a entrada do Journal usando o Wispr Flow (speech to text);
Indico o meu humor, nível de energia, e tipo de trabalho que senti nas tags
Chegando em casa, rodo o comando “normalize as notas”
O Claude Code lê, pergunta, eu esclareço, ele corrige.
Aí ele pega os dados do Oura (todos esses números) e integra.
Parte 1 resolvida. Tenho dados confiáveis sobre mim mesmo. E isso me ajuda a me auto-analisar com uma precisão muito melhor, a tratar dos temas sem esquecer nas sessões de terapia, ou a simplesmente lembrar de coisas legais.
Parêntese🧠: Não sei se deu para perceber, mas eu sou bem nerd para essas coisas. É um dos momentos onde o meu perfil de Altas Habilidades mais gosta de passear. E obrigado Lara Branco por me ajudar com isso em sessões🙂
Mas senti que dava para dar um passo além. Vi que o Rodrigo Belém fez uma conexão do Claude Code com o NotebookLM para varrer a internet atrás de conteúdo de alguém que você quer estudar e resolvi usar a tática para montar o meu Conselho.

Printscreen do meu NotebookLM, com centenas de fontes por “cadeira” do Conselho. Usei o Claude Code para popular esses notebooks.
O Conselho traz seis perspectivas de aconselhamento, todas elas com profissionais e autores validados e referência nos seus ramos de atuação.

Os experts do “Conselho”
Munido dos meus Daily Journals e dos dados do Oura Ring, bem como bases de dados de Saúde e sessões de terapia também registradas no Notion, eu tenho informação o suficiente para ter insights boas discussões com o Conselho.
Obviamente a IA não decide nada por mim, e eu NUNCA sigo cegamente as recomendações.
Mas é um ótimo sparring.
A premissa é simples: pessoas tomam decisões ruins quando operam sem contexto estruturado sobre si mesmos. Eu quero o máximo de contexto para conseguir tomar as melhores decisões.
Como começar hoje

Todo mundo pode ter o seu “dev de estimação” com o Claude Code
Três projetos pesados, um trabalho sujo de 56GB, e um pipeline editorial que antes era tudo na cabeça. Tudo isso em 21 dias com uma conta Pro de R$ 100 por mês (confesso: na verdade eu dei upgrade para a conta de R$ 500 porque estava muito na fissura, mas tecnicamente não precisa) e zero linha de código escrita por mim.
Se você chegou até aqui pensando "eu não saberia nem por onde começar" — é exatamente por isso que tem uma seção embaixo.
O Claude Code tem duas formas de uso além do chat: o Cowork e a aba Code no app de desktop. Portas de entrada diferentes para problemas diferentes.
Cowork é o ponto de partida mais fácil. Funciona em linguagem natural, sem terminal, sem configuração. Foi com ele que eu organizei a pasta de downloads e capturas de tela.
Você descreve o que quer — reorganizar uma pasta, ler PDFs e criar resumos, cruzar planilhas — e o Claude executa com acesso direto ao seu sistema de arquivos, pedindo aprovação antes de cada ação mais significativa.
Se você quer ir além — automações, scripts, integrações com APIs — a aba Code no mesmo app é o próximo passo. Lá que é a mágica.
Vem nesse link aqui da Anthropic e baixa. Precisa de conta Pro (USD 20/mês - mas vc ganha uma semana grátis no meu link), e o processo inteiro começa selecionando uma pasta do seu computador.
Eu preparei um guia mais completo para a turma do Premium, contando também algumas precauções de segurança para não fazer bobagem, quais skills eu uso (a gente criou uma para o Growth Insight!) e muito mais.
Uma projeção do BetaNews de dezembro de 2025 que acho honesta:
"A história de 2026 não vai ser que todos os funcionários se tornaram citizen developers. Vai ser que cada departamento vai ter um punhado de pessoas que constroem ferramentas para o time — e essas pessoas vão se tornar surpreendentemente importantes."
Provavelmente estou nesse punhado. Estou enchendo o meu time diariamente para que eles também construam (oi, Lara Zanesco!). E se você está lendo isso, talvez você também.
Comece a construir agora.
Um abraço, Felipe Collins



