Precisamos falar sobre rebranding.
Todo mundo que trabalha com marketing já teve aquela coceira de querer mudar a marca. Sempre que uma empresa faz uma mudança, é uma chuva de comentários de “especialistas” avaliando se é bom ou ruim (leia-se: se eu gostei ou não).
Há casos que dão muito certo. Há os catastróficos. Há os indiferentes.
Eu quero que o seu caso seja o melhor possível.
Então criei o material mais completo sobre rebranding do Brasil.
Sem falsa modéstia aqui. Com casos práticos, pesquisas acadêmicas, aprendizado empírico (já conduzi 4 mudanças de marca) e entrevistas com alguns dos maiores especialistas do País.
Marina Riecken Monteiro, Brand Manager do Itaú (marca mais valiosa do BR)
Bruna Maggion, CMO do grupo Alun (Alura, PM3, FIAP, StartSe)
Bruno Moretto, CEO da BrandGym (consultoria especializada em branding)
Matheus Benedetti, diretor de marketing do Piadino e Cumbuca Boa
GROWTH INSIGHT PREMIUM 👑:
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Este guia em duas partes te prepara para todas as fases de um rebranding, e está dividido em 4 etapas que vão de ponta a ponta na mudança de marca.
FUNDAMENTOS: quais os tipos de rebranding e como analisar qual modelo faz sentido para a sua empresa (Parte 1);
ANTES: decidir se mexe, no quê, como, com quem e por quanto — incluindo o diagnóstico do que você não pode destruir (Parte 1);
DURANTE: desde a fase que ninguém financia e todo mundo paga, passando por todo o processo de criação e lançamento. (Parte 2);
DEPOIS: o que medir em cada horizonte, e quando cobrar cada número, onde o juro composto acontece e o que pode dar errado. (Parte 2);
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Vamos lá?
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📖 Tempo de leitura: ~22 minutos
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O que você vai ler
Tipos e tamanhos de rebranding (4R)

Do mais agressivo reset às evoluções: existem 4 estágios em que você pode mudar uma marca.
Entender o tamanho da bronca é requisito fundamental para determinar o quanto de atenção, tempo e recurso você vai precisar para uma mudança de marca. A indústria está acostumada a usar algumas terminologias diferentes para discernir o tamanho
A academia descreve rebranding como um continuum que vai desde revitalizar a marca atual até a troca completa de nome, valores e promessas. A indústria deu apelidos aos degraus — refresh, reboot, rebrand, reset:
Reset:
Muda TUDO. Nome, marca, ID visual, posicionamento. É a aposta de maior risco do espectro: você joga fora o equity acumulado, apostando que consegue criar outra percepção mais forte e em linha com a sua nova estratégia rápido.
Sobre naming, especificamente: é um dos fatores que mais influencia na percepção do consumidor.
A literatura mapeou que cinco fatores reduzem a perda de equity na troca — quanto o cliente sabe da mudança, como se sente sobre ela, a semelhança com o nome velho, o apego à marca antiga e a existência de uma marca guarda-chuva. Trocar o nome gera "desconforto e perda de relacionamento".
O Piadino viveu isso na pele quando mudou de Piadina Romagnola. "Foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz na vida", resumiu o diretor de marketing Matheus Benedetti. O nome novo veio em meio a uma batelada de opções, e ganhou por trazer proximidade com o anterior, mas com elementos novos.
O Gympass usou a mudança de nome para enfrentar um teto: as categorias que mais cresciam, saúde mental (+74%) e hábitos saudáveis (+111%), não cabiam num nome com "gym" dentro (Axios, 2024). A marca cresceu 70%+ no ano seguinte.
Quem fez isso de uma maneira desastrosa foi o Elon Musk. O Twitter virou X e só perdeu marca: um ano depois, só 4% dos britânicos usavam o nome novo (Statista).
📌 Leia mais: Técnicas para construir o nome de marca ideal
Rebrand:

Jaguar ou marca de roupa? Mudança da marca de carros foi desastrosa.
A empresa evoluiu e ultrapassou do território da marca, mas o nome ainda serve: muda parte da identidade e posicionamento, mas mantém nome e a história por trás.
O "Feito de Futuro" do Itaú é o manual a ser seguido: assim que mudou a marca, mudaram também a tagline, e entraram com uma campanha forte para ela substituir o “feito para você” que reinava anteriormente (mais sobre isso a seguir).
Já a Jaguar é o caso que deu errado. Consideramos como rebrand e não reset porque ficou o nome, mas na real não manteve nada da marca anterior - nem o que funcionava.
Mudou de marca, público, tipo de produto (foi para os carros elétricos mas não colocou nenhum modelo novo à venda).
Reboot:
Reposiciona o que a marca significa, mas mantém o nome e os códigos que o cliente já reconhece. Serve pra quando a audiência mudou ou o escopo visual virou commodity — você troca a mensagem sem jogar fora o equity.
O Old Spice é o caso de manual: mesmo nome, mesmos códigos, posicionamento novo depois de descobrir uma mudança de comportamento de compra e um nicho possível: saiu da marca do teu avô para um fenômeno jovem ao lançar a campanha “The Man Your Man Could Smell Like”.
Já a Weight Watchers (vigilantes do peso) virou "WW" e reposicionou pra "bem-estar", diluindo a única coisa que o público entendia: emagrecimento. Destruídos também pela onda Ozempic e GLP-1, decretou falência (Chapter 11) em 2025.
Refresh:

Starbucks cortou o nome de dentro da sua marca por confiar na sereia como ativo
Só troca a roupa: o visual muda levemente, o posicionamento não. O menor esforço do espectro.
A Mastercard é o caso clássico de Refresh por subtração. Em 2019, depois de 20 meses de pesquisa, ela tirou o próprio nome do logo — sobraram só os dois círculos, vermelho e amarelo.
Pôde fazer isso porque 80% das pessoas já reconheciam o símbolo sem a palavra "Mastercard". Starbucks fez a sua versão disso também. Google e outras vira e mexe fazem aquelas “mudanças que ninguém percebe”.
Eu participei de uma versão de refresh de marca na Alice (plano de saúde) quando eles mudaram o público de B2C para B2B. Toda a identidade visual e tom de voz passaram por um refino para se tornar mais elegante/sênior e traduzirem no novo ICP.
Há também as evoluções de marca, muito mais sutis e que não ganham um status de rebranding. Quando você coloca elementos novos de maneira mais espaçada ou continuada, e se você olha depois de um bom tempo, se tornam coisas diferentes.
A pergunta: precisamos mudar de marca?
Toda conversa sobre rebranding começa numa reunião. E quase toda reunião começa pela pergunta errada: "como a gente muda a marca?".
O que importa vem antes disso. O que está quebrado?
A maioria das empresas pula essa parte e vai direto pro briefing criativo. É como trocar o motor inteiro só porque a luz do óleo acendeu, sem nunca ter aberto o capô.
Antes de mexer em qualquer coisa, vale saber o que você vai mexer.
Brand equity: o valor acumulado de reconhecimento, confiança e associações que uma marca junta ao longo dos anos, é patrimônio da empresa. Mudar de marca influencia nesse patrimônio (para o bem ou para o mal, mas ele precisa ser reconstruído).
Existem alguns bons motivos para você considerar um rebranding. Os gatilhos legítimos, de acordo com um paper no European Journal of Marketing, 2006:
Mudança na estrutura de propriedade — quando há uma fusão, aquisição, IPO, spin-off. Exemplos: Itaú/Unibanco, NET/Claro, Google/Alphabet. Num recorte de M&A, 74% das S&P Global 100 rebrandaram o ativo adquirido em até sete anos.
Mudança na estratégia corporativa — novo mercado, novo posicionamento que o nome antigo não comporta. Exemplos: Facebook/Meta, Gympass/Wellhub.
Mudança na posição competitiva — sua diferenciação virou commodity visual, todo mundo no setor parece igual na prateleira. Exemplos: Burger King mudando a identidade visual para voltar a “parecer comida” em 2021.
Mudança no ambiente externo — regulação nova, crise reputacional. Exemplo: Banco Central obrigando fintechs a tirar o nome “bank” da marca.
Repare no que os quatro têm em comum. Todos vêm de fora: do mercado, do regulador, da mesa societária. Nenhum deles é "o pessoal de marketing achou o logo cansado".
A Alura é o retrato de quem acertou o gatilho. Bruna Maggion liderou o rebrand por dentro, e a origem do projeto deixa claro qual gatilho estava aceso: mudança de estratégia.
"O rebranding não nasceu de uma necessidade estética, mas de uma necessidade estratégica de negócio. A decisão foi menos sobre 'mudar a marca' e mais sobre alinhar identidade, posicionamento e linguagem ao papel que a Alura já exerce e ao papel que ela quer ocupar nos próximos anos."
Às vezes você não tem escolha.
A antiga Piadina Romagnola, levou uma notificação extra-judicial sobre o uso do nome da marca e teve que mudar. Receberam uma carta do consórcio da Emília-Romagna dizendo que estávamos fazendo apropriação de um produto local — como Champagne na França, que fora da região não pode ser chamado de champanhe, só espumante.
"A gente não teve o luxo de escolher o momento. O gatilho externo [carta do consórcio italiano] só acelerou uma decisão que provavelmente viria mais à frente. A gente conseguiu combinar a obrigatoriedade com a oportunidade de fazer um reposicionamento real."
Os 4 falsos sinais para o rebranding
1. Fadiga interna disfarçada.
Seu time de marketing convive com o logo o dia inteiro, todo dia. O cliente cruza com ele de vez em quando, sem prestar uma fração da atenção que você dedica. Quando alguém na sala diz "nossa marca está datada", a pergunta é quem está cansado: o mercado ou o time interno?
2. O CMO recém-chegado.
“Prefeito novo, regras novas”. Executivo recém-contratado quer deixar marca, e rebrand é a marca mais visível que dá pra deixar. O impulso de sinalizar "cheguei, as coisas vão mudar" é instinto de carreira e não diagnóstico de mercado. Quem acabou de assumir e quer causar impacto tem coisa mais útil pra fazer nos primeiros 90 dias.
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3. Problema de produto vestido de problema de marca.
Quando o buraco está no produto, mexer na marca só deixa o buraco mais bem vestido. A rede RadioShack tentou virar "The Shack" em 2009 para se reerguer. Mas o cliente tinha parado de precisar de uma loja de componentes, e agora comprava online. Trocar o nome não devolveu a relevância que o produto perdeu. Faliu em 2015, com os críticos apontando desde o começo que o estrago era bem mais fundo que a marca.
4. Early stage sem alicerce.
Branding comunica um alicerce que já existe. Se o alicerce não existe, não tem o que comunicar. Não precisa mudar a marca a cada validação em estágio hiper inicial. Você nem formatou a sua proposta de valor direito
"Chega pra mim direto: 'preciso de um logo.' Eu peço: 'me conta o diferencial de vocês, a proposta de valor'. E o cara fica 20 minutos falando — não tem ainda a capacidade de resumir. Muitas vezes não criam a estrutura, não criam o alicerce, e já querem uma marca.
Já recomendei para algumas pessoas não investir naquele momento. Quando tem algo muito embrionário, ainda não validado — talvez não faça sentido. Aí entra como distração. Investe grana e energia 100% no produto”
DBA: O que você não pode destruir

Consegue adivinhar essas marcas? Se sim, é culpa dos DBAs. McDonald’s, Coca-Cola, Tiffany e Milka.
Decidiu mudar? Tem coisa na sua marca atual que não dá para destruir. É o que chamamos de Distinctive Brand Assets.
Podem ser elementos como cor, forma, tipografia, assinatura, som, ou personagem. Um DBA precisa ser familiar (muita gente associa à marca) e único (a associação aponta pra você, não pro concorrente) — os dois juntos.
Qual é o banco “roxinho”? (Nubank)
Que bebida “desce redondo”? (Skol)
Quem tem a musiquinha “pa-ra-pa-pa-paaa?” (McDonald’s)
Se eu mostrar imagens de um daschund e um west highland terrier para quem é mais velho, é capaz deles se chamarem “Cofap” e “IG”.
Byron Sharp (How Brands Grow) e Jenni Romaniuk (Building Distinctive Brand Assets) concordam que esses ativos de marca constroem disponibilidade mental na cabeça do consumidor.

“Itaú” significa “pedra preta” em tupi guarani. Mas é conhecido como o banco laranja, e traduziu isso na sua marca depois de um rebranding em 2023
Tem vezes que os ativos ficam mais modernos que a marca original e ajudam até nessa mudança. Foi o caso do Itaú. Pesquisa revelou que o público já associava o banco ao laranja com muito mais força do que ao azul do logo.
"A discussão do logo mudar de azul para laranja — foi no processo que entendemos essa oportunidade, não era uma diretriz do diagnóstico inicial."
O nome técnico para encontrar esses ativos é brand knowledge mapping (Keller). Na prática, dá pra testar seus DBAs com 4 perguntas — feitas com cliente de verdade, nunca só com o time interno:
O que você associa à marca sem ver o logo?
Se você vê só a cor, em que marca pensa?
Se você vê só a forma, em que marca pensa?
Se escuta/lê a tagline, o que você pensa?
As respostas que mais convergirem para a sua marca te mostram um ativo que você precisa avaliar se vale ou não destruir e recriar. Foi o que fez a Alura.
"Quis entender exatamente a razão que levou essa empresa a existir há 20 anos. Houve um cuidado importante com a transição: preservar os ativos de equity já construídos pela marca, ao mesmo tempo em que atualizávamos seus códigos para um novo ciclo."
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Onde o diagnóstico desanda
Três erros de manual na avaliação de ativos de marca:
Diagnosticar só com o time interno (quem convive com a marca todo dia perde a régua do que o cliente associa);
Pular o mapa de DBAs e ir direto pro briefing (você entrega um pedido sem saber o que está protegendo);
Confundir DBA com "o que o fundador ama no logo" (uma coisa é o consumidor associar, outra é o dono gostar).

Erro de ~USD 65 milhões: a laranjinha com canudo era um DBA da Tropicana
O erro clássico é da Tropicana. Em 2009, num projeto vendido como simples refresh, a marca apagou seu DBA mais valioso — a laranja com o canudo espetado, o atalho que o cliente usava pra achar o produto na gôndola sem ler rótulo.
O erro custou uma somatória de USD 35 milhões na campanha de lançamento + USD 30 milhões de queda nas vendas (tombo de 20% entre 1º de janeiro e 22 de fevereiro de 2009). Depois de 2 meses, voltaram atrás na embalagem e marca antigos. A Cracker Barrel também passou pelo mesmo problema (e ainda foi chamada de “woke brand” no processo).
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Quanto custa um rebranding?

Dados da Bynder mostram o quanto custa para operar uma mudança de marca. O preço varia, mas a mensagem é: prepare seu bolso para mais do que está pensando.
Antes dos números, um aviso: o preço DEPENDE. O preço depende de muitas coisas: escopo, porte da empresa, fornecedor, tempo. Cravar com certeza aqui é pedir para errar.
Mas licença poética feita, existe alguma faixa que dá para mostrar.
Lá fora, existe uma faixa que aparece de forma parecida em várias agências americanas e britânicas independentes (Metabrand, Ramotion, Grafik, Stackmatix). Trate como ordem de grandeza, não como número fechado. O cliente típico delas é startup venture-backed que capta em dólar, por isso a régua é organizada por rodada, não por escopo.
Régua por estágio de funding (USD)
Estágio da Startup | Faixa (USD, 2025) | O que compra |
|---|---|---|
Bootstrap / Pre-Seed | 1.000–7.000 | Logo + identidade básica |
Seed | 15.000–50.000 | Posicionamento + identidade + guidelines |
Series A | 75.000–150.000 | Pesquisa + posicionamento + identidade + web |
Series B+ | 150.000–500.000+ | Arquitetura de marca + rollout global |
Faixas convergentes entre as agências citadas acima — ordem de grandeza.
Régua brasileira, por escopo de entrega (R$).
Fiz outro estudo para o mercado brasileiro, usando uma plataforma de concorrência criativa (WeDoLogos) e outros freelancers. Repara na origem: a WeDoLogos atende micro e pequena empresa via designers em concorrência, então o que ela publica é o piso - o mínimo, não o teto.
Escopo | Faixa (R$, 2025–26) | O que compra |
|---|---|---|
Só o logo | R$ 1,5 mil a R$ 8 mil | Logo + variações + cores |
Identidade + manual | R$ 5 mil a R$ 15 mil | Logo + paleta + tipografia + manual básico |
Sistema completo | R$ 20 mil a R$ 50 mil | Toda a identidade + manual + aplicações |
Rebrand estratégico | R$ 40 mil a R$ 120 mil | Pesquisa + estratégia + identidade + todos os pontos de contato |
Pelamor: NÃO TOME A TABELA COMO VERDADE.
Pensa na distância entre casos desta edição: um early-stage fazendo a marca com um freela, uma startup que pede a BrandGym, o Piadino contratando a Rebu (que fez Nude e Dengo), e o Itaú com a Pentagram. São 4 universos de custo, e nenhum "preço de tabela" cobre. A régua serve só pra você descobrir em qual universo está
Eu já recebi propostas de R$ 80 mil, R$ 230 mil e R$ 1,3 milhão para o mesmo escopo de marca. A diferença era basicamente quem assinava embaixo.
Rollout: preço 3x maior
A mensagem principal aqui é para você preparar o bolso, porque o custo total de um rebranding pode ser até 3 vezes maior do que o contratado para um fornecedor - isso sem nem colocar na ponta do lápis a campanha de lançamento.
É tipo casamento: a despesa só cresce e você nem sabe de onde.
O maior vilão é o rollout: colocar a identidade nova em todos os pontos de contato, que pode consumir cerca de 40% do orçamento total.
O único número aqui que sai de pesquisa, e não de estimativa de agência: o rebrand médio mexe em 215 ativos diferentes e leva 7 meses do primeiro papo ao rollout — com quase 1 em cada 10 se arrastando de 1 a 2 anos (Bynder, 1.002 profissionais UK+US, 2023).
Cada um desses 215 ativos é uma linha de custo. É a lista que ninguém soma no começo:
Implementação (templates, decks, papelaria): 2x a 3x o fee inicial
Registro de marca (INPI): até R$ 40 mil dependendo de classes e marcas
Website: US$ 20 mil a US$ 200 mil, em projeto separado (ou tempo, se interno)
Tempo de liderança: 100 a 200 horas de CEO + CMO num rebrand de Series A
Comunicação de lançamento: zerado no orçamento inicial, mas é o que decide se alguém vai ficar sabendo ou se só vai ser estranho. Chegaremos lá.
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Time interno ou fornecedor?
Estamos tomando como certeza nessas planilhas acima que de fato existe um fornecedor como uma agência ou consultoria especializados, mas fazer rebranding só com o time interno de marketing também é uma opção. Não sei se é a melhor, mas é uma opção.
Para tomar a decisão, vale uma análise de risco.
O custo visível é o fácil de comparar: de um lado, o tempo e os salários das pessoas dedicadas versus o preço pago a uma agência pelo projeto. Você coloca na ponta do lápis quanto quer ou pode gastar, o tamanho do seu rebranding, e toma a decisão.
O problema é o custo invisível, que vale para os dois lados:
Qual o nível real de senioridade das pessoas envolvidas?
Qual o risco de competição entre projetos internos (ou clientes)?
O que acontece se alguém sai do time (seu ou da agência)?
Qual o nível de conhecimento do mercado, do negócio e da cultura?
Qual a experiência no processo de rebranding? Isso impacta muito.
Eu já fiz dos dois jeitos, e curiosamente já consegui ter sucesso e fracasso operando em cada maneira.
A Alura fez in-house, e a Bruna é clara sobre por que funcionou no caso dela:
Não se tratava de importar uma visão externa, mas de organizar e sofisticar uma inteligência de marca que já existia dentro da empresa.
Mesmo representando quem justamente vende esse serviço, Bruno Moretto dá o cálculo sem puxar sardinha para o seu lado. A BrandGym já operou 250+ projetos:
Se você vai investir em mídia e performance sem investir em marca, vai estar jogando muita grana fora e perdendo um potencial de crescimento muito maior.
Numa análise de risco, eu fundando uma empresa não consideraria fazer solo. Sempre tentaria fazer com uma empresa. A não ser que não encontrasse forma de pagamento que encaixasse no fluxo.
Prazo, preço, escopo, técnica, tudo importa. Existe também o “santo de casa que não faz milagre”, e o elemento político para entrar no processo decisório: a grife do estúdio, o ego do time que quer tocar solo, o alinhamento entre decisores. Aliás, essa é uma das barreiras que entraremos a seguir.
Execução e Mensuração - parte 2
Nos preocupamos em entender como não destruir valor em uma possível mudança de marca. Decisão tomada? Vamos para execução. Na Parte 2 deste especial você vai entender como a gente sai do papel e coloca uma marca nova na rua:
O erro de alinhamento que derruba qualquer projeto
O framework passo a passo de criação de marca
O lançamento e como fazer seu rebranding percebido (do jeito certo)
Como avaliar sucesso ou fracasso da sua estratégia
Vem mais por aí. Assina para não perder.
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Até a próxima,

Felipe Collins, co-fundador Growth Insight
