Fala, turma!
Na última edição especial sobre livros, eu publiquei as melhores leituras por estágio da carreira, junto com recomendações e dicas mais gerais sobre leitura.
Dessa vez eu vou para os melhores livros, só que por linha de competência ou por especialidade. Tem Growth, Copy e persuasão
Branding e Posicionamento
Product e Product Marketing
Economia Comportamental e Pensamento Crítico
Marketing B2B
Vendas e Negociação
Tecnologias, startups e empreendedorismo
Não-técnicos e biografias
Eu evitei as repetições da lista anterior (Parte 1), e a grande maioria dos livros aqui eu pessoalmente li ou foram recomendados por amigos.
Bônus para Premium 👑:
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✍️ Na última edição:
💬Comentário da última edição:
“Eu sou sócio-fundador de uma consultoria 'boutique' com pouca ênfase no Marketing como alavanca de crescimento, então várias das edições acabam não se aplicando totalmente ao meu negócio, e muito mais centradas em tech-based, SaaS B2B e afins. Ainda assim acompanho, pois gosto muito do conteúdo e do nível de profundidade das análises de vocês.
Mesmo que a edição de hoje tenha como público principal os SaaS B2B, foram ótimos insights em relação ao momento do inbound e, especialmente, a estratégias de AEO/GEO em 2026. Leio silenciosamente, mas nunca tinha dado um feedback, então aí vai: foda demais, seguimos acompanhando! 🤟🏼”
Você vai ler

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Growth & Aquisição
(O clássico Hacking Growth do Sean Ellis deixei na Parte 1 deste especial — aparece lá no bloco de início de carreira.)
Traction — Gabriel Weinberg & Justin Mares.
Tema: Canais de Aquisição
Framework clássico dos 19 canais de aquisição e o Bullseye Framework. Sempre bom para refrescar a memória ou propôr alternativas de campanhas. Mesmo que eu ache que existem bem mais canais, é sempre bom para relembrar.
📚 Leia mais: Canais de Marketing: tudo parou de funcionar?
The Cold Start Problem — Andrew Chen.
Tema: Efeitos de Rede
Venture Capital e ex-CMO de Uber e um monte de scale-up que cresceu alucinadamente, o Andrew Chen cansou de escalar empresa B2C e D2C.
Ele vai por estágios e parte de uma pergunta que todo produto com componente de rede (network effect) precisa responder antes de escalar: qual é o menor grupo de pessoas onde a rede já tem valor? O primeiro núcleo é o atomic network. O ponto é que a maioria das empresas nunca define o seu, vai atrás de volume antes de ter densidade, e nunca decola.
O segundo conceito é o hard side: em qualquer rede, seja marketplace ou negócio com NfX mesmo, existe um lado difícil de atrair (motoristas no Uber, vendedores no Airbnb, criadores no YouTube) e um lado fácil. Quem controla o hard side, controla o mercado.
Traversing the Traction Gap — Bruce Cleveland.
Tema: Go-to-Market
Acho que é uma evolução do “Crossing the Chasm” do Geoffrey Moore. Cleveland (founding partner da Wildcat VC) mapeia o período entre MVP e tração apontando para um erro clássico: a incompatibilidade entre o estágio da empresa e a solução de go-to-market que ela está tentando.
Cada fase do abismo tem uma arquitetura de sistema e produto específica, e pular etapas é o padrão mais comum de morte silenciosa em startup que tecnicamente "funciona".
📌 Pode te interessar: Como criar um marketing que gera caixa (do zero)
Copywriting & Persuasão
(O Very Good Copy do Ed Schleyner aparece na Parte 1 deste especial, no bloco de início de carreira. É um dos preferidos)
The Boron Letters — Gary Halbert.
Tema: Copywriting
Cartas escritas da cadeia para o filho. Mais sobre copy em 200 páginas do que qualquer curso online. O jeito que Halbert ensina é brutalmente direto: sem teoria, sem framework — só mecanismo, atenção e como pessoas de verdade tomam decisão.
🎧 Escuta aqui: O abismo entre copywriting e saber escrever (podcast T1E04)
Breakthrough Advertising — Eugene Schwartz.
Tema: Copywriting e propaganda
Níveis de consciência do mercado — o conceito mais subestimado em marketing de resposta direta. Um dos livros mais citados por copywriters, e um dos clássicos.
📚 Leia mais: Bad copy, good copy
Make It Punchy — Emma Stratton.
Tema: Mensagem B2B
Fica no espaço entre posicionamento e copy, o tal do messaging, onde a maioria das empresas B2B erra. Emma Stratton ensina como escrever mensagem de B2B tech sem jargão e sem o vazio de "solução end-to-end". April Dunford assina o endosso, o que faz sentido: Make It Punchy é o complemento que desce o que a April definiu no Obviously Awesome. Um achado.
On Writing Well — William Zinsser.
Tema: Escrita Clara
Delícia de ler esse livro. O argumento central de Zinsser é que a sujeira — palavras que não ganham seu lugar — é a doença mais comum da escrita profissional. Cada adjetivo desnecessário, cada construção passiva, cada frase que poderia ser cortada pela metade: tudo isso custa o leitor. Marketers raramente leem livros de escrita porque acham que é habilidade secundária. Não é. A distância entre quem escreve com clareza e quem escreve com competência é a distância entre uma mensagem que fica e uma que foi lida.
Branding & Posicionamento
Positioning: The Battle for Your Mind — Al Ries & Jack Trout.
Tema: Posicionamento
Um dos livros que criou o conceito. A tese central: a batalha de marketing não acontece no mercado, acontece na mente do cliente, um espaço extremamente limitado onde só cabe um nome por categoria. O Ries chama de "escada de posicionamento".
Building a StoryBrand — Donald Miller.
Tema: Narrativa de Marca
Bem próximo da clássica “jornada do herói”. Framework de 7 partes onde o cliente é o herói e a marca é o guia. É a operacionalização de storytelling aplicado a posicionamento e comunicação.
Simples e poderoso, mas o perigo mora em seguir essa sequência sem pensar, que pode ficar muito forçado ou igual a todo mundo que seguiu o mesmo framework.
The Hero and the Outlaw — Margaret Mark & Carol S. Pearson.
Tema: Arquétipos de Marca
Ótimo livro e tese, mas o que estraga são os fãs. É a obra original que atrela significado das marcas aos arquétipos originais de psicologia do Jung. O Cuidador, o Rebelde, o Explorador, o Sábio: cada um ativa um conjunto específico de valores e expectativas no subconsciente do consumidor.
O que complica é a turma que fala que a marca é uma “Herói” como se fosse horóscopo de branding, sem sustentação nenhuma ou conexão com o que a marca realmente prega.
Zag — Marty Neumeier (ou Purple Cow — Seth Godin)
Tema: Diferenciação
Quando todo mundo faz zig, faça zag. Tanto o Neumeier quando o Godin defendem uma diferenciação mais radical de marca (um livro mais hipster dessa tese é o Stand the Fck Out do Louis Grenier).
Ângulo complementar ao Positioning do Ries. O Neumeier também tem um outro chamado The Brand Gap que é bom.
📚 Leia mais: Criatividade é conectar os pontos
Storynomics — Robert McKee.
Tema: Narrativa Estratégica
"Acho Storynomics muito melhor que Save the Cat. É muito mais profundo."
McKee parte de onde os livros de comunicação param. A tese: história é o único formato que desativa o ceticismo racional do ouvinte — não porque engana, mas porque o cérebro processa narrativa diferente de argumento. Dados ativam análise. História ativa identificação. É por isso que um anúncio com três provas sociais não converte e uma história de cliente converte — e por que marcas que só falam de features estão sempre na defensiva.
How Brands Grow — Byron Sharp.
Tema: Branding
"Uma análise muito profunda sobre como as marcas crescem.”
Nada como aliar dados à sua estratégia de marca - 50 anos de dados, então... Byron Sharp é o grande modelo para isso, e o que ele escreveu pauta as análises todas de disponibilidade mental e física. Crescimento por penetração e não lealdadel, “Double Jeopardy” contra as marcas menores, e diferenciação vs distinção são os principais onceitos.
Pode te interessar: Análise DETALHADA do caso Havaianas. Todo mundo ama?
Produto & Product Marketing
(O Obviously Awesome da April Dunford está na Parte 1 deste especial, no bloco de analistas e início de carreira. Sigo achando que é um dos mais legais sobre o tema)
Inspired — Marty Cagan.
Tema: Produto
Esse é o “autor-padrão” da turma de Produto. Marty Cagan parte de uma distinção que pouca empresa pratica: times de produto de verdade descobrem soluções, times de entrega executam roadmap.
A diferença é entre o PM que entra no discovery e o que recebe o briefing depois que tudo já foi decidido. Tal qual vários outros mais idealistas, o problema são os fãs: não é tão aplicável para qualquer realidade. Mas é inspirador.
Escaping the Build Trap — Melissa Perri.
Tema: Estratégia de Produto
Abaixar a cabeça e codar não é a solução sempre. E quem cai na armadilha de construir mede output (features entregues, velocity do sprint, releases por trimestre) quando deveriam medir outcome (comportamento do cliente que mudou, problema resolvido, resultado de negócio gerado). A consequência é um roadmap que cresce sem parar e um produto que ninguém sabe mais explicar.
Actionable Gamification — Yu-Kai Chou.
Tema: Gamificação e Engajamento
Imperdível para quem joga videogame e trabalha com marketing ao mesmo tempo. Yu-Kai Chou mapeou 8 drives fundamentais de motivação humana no framework Octalysis — e dividiu em dois eixos que mudam tudo: White Hat (criatividade, significado, conquista) vs Black Hat (escassez, medo, pressão social). Bom ter no repertório.
Build — Tony Fadell.
Tema: Produto e Carreira
Tony Fadell (iPod, iPhone, Nest) escreve sobre o que os livros de carreira evitam: como funciona a política real de uma grande empresa, por que contratar cedo demais destrói cultura antes dela existir, e como saber quando um produto está pronto para sair — não perfeito, pronto. A parte sobre trabalhar com Steve Jobs nos primeiros iPhones sozinha justifica o livro. Indicação do CEO da Alice quando eu trabalhava lá.
Bônus: The Design of Everyday Things — Don Norman.
Esse é de design e já começa com um tapa na cara com a capa da chaleira apontando para o lado errado. Aí o Don Norman passa 300 páginas provando que quando você não consegue usar alguma coisa, o problema quase nunca é você — é o design.
O conceito de affordance muda como você olha para landing page, fluxo de onboarding e embalagem ao mesmo tempo: tudo tem uma lógica que dá para antecipar antes do briefing, não depois do teste de usabilidade.
Economia Comportamental & Pensamento Crítico
(Alchemy — Rory Sutherland está na Parte 1 deste especial, no bloco de Coordenação e Gerência. Nassim Taleb também tá na primeira lista.)

Como me senti lendo o Thinking Fast and Slow
Thinking, Fast and Slow — Daniel Kahneman.
Tema: Psicologia da Decisão
Difícil de ler, mas bom. Kahneman é o grande pai da economia comportamental. Mostra (mil vezes) distinção entre Sistema 1 (rápido, automático, intuitivo) e Sistema 2 (lento, deliberado, com esforço).
📚 Leia mais: Como nosso cérebro aprende?
Predictably Irrational — Dan Ariely.
Tema: Comportamento do Consumidor
Mostra o quanto a gente pode ser meio burro mesmo sendo inteligente por conta dos corta-caminhos da cabeça. Ariely prova com experimentos reais que as decisões de compra humanas seguem padrões irracionais previsíveis — o que significa que dá para projetar para eles.
O capítulo sobre relatividade de preço é o mais aplicável: por que o produto do meio em uma lista de três opções quase sempre vence, por que um item "gratuito" paralisa o julgamento de valor e por que comparar com o concorrente errado pode destruir sua percepção de preço. (Alô páginas de SaaS!)
The Choice Factory — Richard Shotton.
Tema: Ciência Comportamental Aplicada à Comunicação
Subestimadíssimo! 25 vieses com aplicação direta em comunicação e campanha. É o livro que transforma Kahneman em decisões de mídia e copy. O menos citado dos livros de behavioral science aplicada a marketing — e o mais imediatamente utilizável na prática.
📚 Leia mais: 13 gatilhos de confiança que seu marketing não usa
Thinking in Systems — Donella Meadows.
Tema: Pensamento Sistêmico
Eu transformei um pouco o meu jeito de pensar quando comecei a ver sistemas (correlaciona bem com a turma do Grove, Falconi, etc). Meadows ensina a enxergar os loops de retroalimentação, os estoques e os fluxos que governam qualquer sistema — de ecossistemas a organizações.
Poor Charlie's Almanack — Charles T. Munger.
Tema: Modelos Mentais e Pensamento Crítico
Para quem: empreendedores, investidores, faladores. Key takeaway: uma porrada de mental models para colecionar e referencias para estudar.
Indicação do Pedro Clivati, cofundador do Drops. Munger construiu metade da Berkshire Hathaway (com o Warren Buffet) aplicando modelos mentais de física, psicologia, matemática, biologia e economia às mesmas decisões.
O princípio central — que ele chama de latticework of mental models — é que quanto mais modelos você tem disponíveis, mais claramente você enxerga a realidade. Casa bem com o The Great Mental Models do Shane Parrish.
Marketing B2B
(From Impossible to Inevitable — Aaron Ross está na Parte 1 deste especial, no bloco de Coordenação e Gerência.)
Courageous Marketing — Udi Ledergor.
Tema: Branding B2B
O ex-CMO do Gong escreve um manual de como fazer marketing corajoso em contexto que premia mediocridade. A premissa: marketing B2B entediante não é seguro, é só invisível. Endosso de Cialdini e Daniel Pink na capa, o que não é pouca coisa.
Um dos livros que norteia “sem querer” parte do playbook da Barte.
ABM is B2B — Sangram Vajre & Eric Spett.
Tema: Account-Based Marketing
O livro que resume o tal do account based marketing, que todo mundo diz que faz mas pouca gente faz direito. Poucas contas e muita profundidade. Vajre (cofundador do Terminus) entrega o framework TEAM (Target, Engage, Activate, Measure) com um pressuposto direto: alinhamento entre marketing e vendas acontece quando os dois times literalmente trabalham na mesma lista.
📚 Leia mais: Hubspot: como nasceu e cresceu a gigante do inbound
The Sales Acceleration Formula — Mark Roberge.
Tema: Máquina de Vendas B2B
Roberge construiu a operação de vendas do HubSpot de zero a $100M ARR e documentou cada decisão com dados. O argumento central: se vendas não é previsível, é porque o processo não está documentado e as métricas são as erradas.
📚 Leia mais: Útil ou Hype? Demand Gen e a regra dos 95-5
Vendas & Negociação
(Never Split the Difference — Chris Voss está na Parte 1 deste especial, no bloco de Especialista e Freelancer.)
SPIN Selling — Neil Rackham.
Tema: Vendas
Pesquisa com 35 mil visitas de vendas. O que separa vendedores medíocres de excelentes é o tipo de pergunta que fazem. O livro mais empiricamente sólido de vendas que existe, e o que a maioria das pessoas cita sem ter lido.
The Challenger Sale — Matthew Dixon & Brent Adamson.
Tema: Vendas B2B
Dixon e Adamson pesquisaram 6.000 vendedores e chegaram ao resultado que ninguém queria ouvir: os melhores performers não são os que constroem relações — são os que desafiam o cliente. O Challenger ensina, personaliza a mensagem e assume o controle da venda em vez de seguir o ritmo do comprador.
Getting to Yes — Roger Fisher & William Ury.
Tema: Negociação
O contrário do Chris Voss. Framework de Harvard que separa posição de interesse — e muda tudo. Posição é o que você pede. Interesse é por que você pede. A maioria das negociações trava porque dois lados defendem posições opostas sem perceber que os interesses por trás são compatíveis. O cliente que briga por desconto geralmente está resolvendo um problema de aprovação interna que você nunca perguntou sobre.
Tecnologia, Startups & Empreendedorismo
(Good Strategy Bad Strategy, Playing to Win e 7 Powers estão na Parte 1 deste especial, no bloco de C-Level — são as leituras de estratégia fundamentais para essa fase.)
Entendendo Michael Porter — Joan Magretta.
Tema: Estratégia Competitiva
"Muito bom. Traz uma base de estratégia muito forte e, mesmo assim, quase ninguém comenta sobre ele."
O argumento central de Porter — que Magretta traduz sem perder o fio — é que a maioria das empresas confunde eficiência operacional com estratégia. Fazer a mesma coisa que os concorrentes, só que melhor, não é estratégia: é corrida armamentista que termina em empate e margens destruídas. Estratégia é escolher um conjunto de atividades que os concorrentes não podem ou não querem copiar.
📚 Leia mais: Planejamento Estratégico que funciona
Zero to One — Peter Thiel.
Tema: Empreendedorismo
O argumento mais provocador de Thiel: competição é para perdedores. Todo negócio em competição perfeita converge para lucro zero — a única estratégia que faz sentido é criar um monopólio (óbvio que eu discordo mas é a tese dele). Isso inverte o instinto de qualquer pessoa que cresceu achando que competição é saudável.
The Innovator's Dilemma — Clayton Christensen.
Tema: Inovação
Focar no core ou inovar? Bom para empresas que estão mais tradicionais e indo forte na visão de curto prazo. Christensen mostra empresas cegas para a disrupção vindo de baixo, quando a inovação disruptiva começa pior e mais barata, serve um mercado que o líder ignora, e chega pelo flanco quando já é tarde. O concorrente perigoso quase nunca aparece no radar — até aparecer no balanço.
The Lean Startup — Eric Ries.
Tema: Startups
Fundamental para quem quer empreender e quer teoria, embora hoje as coisas estejam muito mais rápidas. O argumento de Ries é reduzir o custo do aprendizado: construa a menor coisa que testa sua hipótese mais arriscada, meça o que acontece, aprenda com o resultado. O ciclo build-measure-learn separa quem itera até encontrar product-market fit de quem passa 18 meses construindo a coisa errada.
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